quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O PROGRAMA DO PSD: PEDIR DINHEIRO EMPRESTADO

Os Presidentes de Câmara Municipal eleitos pelo PSD no distrito de Santarém estão contra as “regras restritivas do endividamento” nos Municípios. Acham que gastaram pouco. Querem gastar mais. Mas querem gastar mais do dinheiro que não têm. Ou seja: querem poder pedir mais dinheiro emprestado. Têm gerido mal o que pediram e ainda não pagaram, mas ainda não estão satisfeitos.

Os autarcas tiveram a militância de se reunirem num jantar (que câmara Terá pago o repasto?...) no Entroncamento para tomar uma posição conjunta sobre estas matérias. Nunca se juntaram para coordenar posições e fazer exigências sobre qualquer assunto daqueles que preocupam as populações. Só tiveram esta ideia para protestar por não poderem pedir mais dinheiro emprestado.

Estiveram presentes Corvelo de Sousa (Presidente da Câmara Municipal de Tomar), Fernando Moleirinho (Sardoal), Francisco Moita Flores (Santarém), Luís Ribeiro Pereira e Jacinto Lopes (Presidente e Vice-Presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere), Jaime Ramos (Entroncamento), José Saldanha Rocha (Mação), Miguel Relvas (Coordenador Autárquico Distrital) e Vasco Cunha (Presidente da Comissão Política Distrital do PSD). Não esteve presente, “por motivos de agenda”, Vítor Frazão (Presidente da Câmara Municipal de Ourém).

Os autarcas constataram “que as regras restritivas do endividamento, e os limites que lhe são impostos, puseram em causa muitos investimentos necessários e prioritários – bem como o aproveitamento do QREN – para tornar os nossos Municípios e a nossa região mais competitivos”.

Concluíram que “é fundamental para os Municípios (na sua relação com a Administração Central) a evolução para uma maior partilha na afectação de impostos – sem que daí tal possa constituir um agravamento fiscal – designadamente através do IVA e do IRS”.
Ninguém sabe quanto é que a Câmara Municipal de Tomar deve ao certo. Sabe-se que é muito.

Nos últimos meses todos temos lido na comunicação social as notícias da crise nas empresas do concelho de Tomar. Empresas que amaçaram fechar as portas, empresas que deixaram de pagar porque quem lhes deve não lhes paga, empresas que fecharam, trabalhadores que deixaram de receber, famílias inteiras em crise de rendimento, que perderam os seus ordenados, protestos dos trabalhadores, pedidos de ajuda ao Governo.

O que não temos lido na comunicação social são notícias acerca das pessoas que nos últimos anos quiseram investir em Tomar, criar empregos em Tomar, criar riqueza em tomar, pagar impostos em Tomar e não conseguiram devido à imensidão de obstáculos que a Câmara Municipal sistematicamente lhes foi colocando até conseguir que essas pessoas fossem investir para outras paragens.

Não temos lido, mas sabemos. E sabemos até de pessoas que foram agora contactadas à pressa para virem investir, já sem os obstáculos inicialmente colocados, porque daria jeito a um mês de eleições dar um aspecto dinâmico à imobilista, inoperante e desinteressada Câmara Municipal de Tomar. Nestas vésperas de eleições os obstáculos de outrora desapareceram como que por magia. O PSD está desesperado por mostrar serviço, depois de ano0s de marasmo e inoperância.
O que se tem feito em Tomar é com dinheiros públicos e como se sabe muitas vezes mal gastos e desbaratados. O poder municipal do PSD tem horror à iniciativa privada, prefere o investimento público, porque empresários privados são livres e quem depende de subsídios tem de ser atento, venerando e obrigado. Mas para seguir neste caminho tem de se estar a pedir sempre dinheiro emprestado. Insaciavelmente e com uma consequência óbvia: todos pagaremos no futuro muito caro esta irresponsável maneira de desgovernar. O programa eleitoral do PSD em Tomar e nos concelhos do distrito em que desgoverna resume-se a quatro palavras: pedir mais dinheiro emprestado. É preciso mudar.

Jorge Ferreira

(publicado na edição de hoje d' O Templário)

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